PRONUNCIAMENTO - DEP. MIRIAM REID
SESSÃO SOLENE EM HOMENAGEM A ANÍSIO TEIXEIRA
DATA: 13/06/2000
Quero saudar e parabenizar os três autores do requerimento desta sessão solene, e dizer ao Deputado Haroldo Lima que a homenagem que o nobre Colega presta ao nosso saudoso Anísio Teixeira ultrapassa esses valiosos momentos de reflexão, de resgate histórico da vida e da obra desse grande brasileiro.
Homenagem maior V. Exa. Presta diariamente nesta Casa, com a sua própria vida, que é a continuação do ideal de Anísio Teixeira, e também pela brilhante atuação nesta Casa. Este plenário é testemunha de que V. Exa. Tem pautado a sua conduta parlamentar na defesa intransigente dos interesses do nosso País e, acima de tudo, almejando a construção de uma verdadeira Nação.
Neste centenário é preciso que o Brasil - principalmente os governantes, as autoridades, os profissionais da educação e cada cidadão brasileiro - pare para pensar que a nossa história seria outra se tivesse sido colocado em prática os sonhos de Anísio Teixeira. Hoje, companheiros trabalhadores dos Correios, vocês não estariam aqui, vindos de todos os cantos deste País para pedir o direito de continuar trabalhando.
É um absurdo, Sr, Presidente! É um absurdo admitir que se possa privatizar a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos num País aonde ainda há pessoas que não têm sequer transporte coletivo ou um prato de comida na mesa. Sabemos que se essa empresa for privatizada passará a visar o lucro e mudará a função social do trabalho de cada um de vocês, que é de levar uma carta, uma mensagem, às vezes uma notícia triste ou alegre de um familiar, o que é muito comum neste País, as famílias se espalham em busca do direito à sobrevivência, ao emprego e ao trabalho.
Estamos aqui hoje para dizer a cada um de vocês que vamos fazer a nossa parte, conscientes de que estamos lutando contra uma correnteza violenta, que já arrastou milhares de empresas públicas para as mãos, muitas vezes, de estrangeiros, que estão explorando a nossa terra e nos transformando em estrangeiros dentro de nosso próprio País.
É por isso, Sr. Presidente, que eu gostaria, neste momento, de ler um pensamento dito por Anísio Teixeira, tenho certeza de que num dos momentos mais emocionantes de sua vida, quando inaugurava a escola-parque, uma escola ideal para um país como o Brasil, que tem uma malha educacional tão frágil que nos permite ter um dos maiores índices do mundo em evasão escolar pela fragilidade do nosso sistema educacional, pelo atraso em que se encontra. Naquele momento, ele dizia: "Tudo isso soa como algo de estapafúrdio e de visionário."
Ele tinha consciência de que estava além da mentalidade, tão atrasada, dos governantes da época, que não é muito diferente da de uma grande maioria hoje. E ele dizia: "Na realidade, estapafúrdios e visionários são os que julgam que podem formar uma nação pelo modo que estamos destruindo a nossa."
Essas palavras tão atuais de Anísio Teixeira eu as deixo como reflexão para os nossos governantes. É preciso entendermos que não se pode construir uma nação sem priorizar a educação.
Nesse sentido, vou ler um dos pensamentos do próprio Anísio Teixeira, que considero mais importantes para a reflexão deste momento:
"Só existirá uma democracia no Brasil no dia em que se montar a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a escola pública. Mas não a escola pública sem prédios, sem asseio, sem higiene e sem mestres devidamente preparados e, por conseguinte, sem eficiência e sem resultados e, sim, a escola pública rica e eficiente, destinada a preparar o brasileiro para vencer e servir com eficiência dentro deste País."
A nossa esperança é que o centenário de Anísio Teixeira seja o momento em que todos os brasileiros, principalmente aqueles que vergonhosamente estão roubando o dinheiro da merenda das nossas crianças, que estão desviando as verbas do FUNDEF, comprometendo o futuro deste país, possam se curvar diante deste grande cidadão que pensou o Brasil para o futuro, e que nos compete hoje, como V. Exa. Faz, continuar a sua obra, a sua luta em defesa de uma educação que seja para todos.
Há outro momento importante na vida do Anísio Teixeira que também quero registrar, no período de 1931 a 1935, há 70 anos, no Governo do Prefeito Pedro Ernesto, no antigo Distrito Federal. Anísio criou uma rede municipal de ensino, da escola primária à universidade, introduziu a moderna arquitetura escolar, ampliou as matrículas, criou os serviços de extensão e aperfeiçoamento, as escolas técnicas secundárias e transformou a antiga Escola Normal em Instituto de Educação. Fez ainda o Canto Coral, a educação e a rádio-escola, aspectos importantes da reforma educacional que tentou fazer naquela época.
Porém, a iniciativa mais polêmica foi a criação da Universidade do Distrito Federal, em abril de 1935. Sobre essa universidade diria, mais tarde, o nosso também saudoso Darcy Ribeiro, que não poderia deixar de registar aqui: "Filha querida de Anísio foi fechada e banidos os seus professores, os mais brilhantes que o Brasil já teve."
Infelizmente, companheiros dos Correios e colegas Deputados, o Brasil está hoje nessa situação difícil por que passa justamente porque os grandes brasileiros, que tomam atitudes de abrir caminhos para transformar este País, são perseguidos como foi Anísio Teixeira. Mas aqui estamos para continuar sua história.